Por Débora Carvalho Meldau
O sofrimento fetal, também chamado de hipóxia neonatal, consiste na diminuição ou ausência da assimilação de oxigênio recebida pelo feto através da placenta. Este quadro pode ser agudo ou crônico.
Em muitos casos este sofrimento é implicado por uma patologia materna
que ocasiona redução na sua concentração de oxigênio sanguíneo, como,
por exemplo, em um quadro de anemia significativa, um problema
respiratório ou cardíaco. Existem também outras patologias maternas que
resultam em uma irrigação placentária ineficiente, como no caso da hipertensão arterial
ou a diabetes gestacional, levando, consequentemente, à diminuição da
oxigenação fetal. Apesar de estes problemas não apontarem alterações
evidentes na oxigenação ao longo da gestação, podem ocasionar uma
insuficiência da mesma no momento do parto, em decorrência do esforço
realizado pela mãe ou quando há associado uma redução da irrigação
placentária durante as contrações uterinas. Além disso, problemas
ocorridos no momento do parto, como placenta prévia e o descolamento
prematuro da placenta, podem resultar em problemas mais severos na
oxigenação do feto.
Dentre outros problemas que causam a diminuição da oxigenação fetal estão:
- Alterações das contrações uterinas;
- Posições anômalas do feto;
- Desproporção entre as dimensões da pélvis da mãe e do tamanho do feto;
- Nascimento de múltiplos;
- Ruptura uterina;
- Anomalias do cordão umbilical.
As consequências da hipóxia neonatal variam de acordo com a
intensidade da redução de oxigênio fetal e do tempo de duração da mesma.
Quando o problema é identificado precocemente, a recuperação do feto
costuma ser rápida e não deixa sequelas. Contudo, quando o quadro de
hipóxia é prolongado, pode levar a lesões irreversíveis em diversos
órgãos, especialmente no sistema nervoso, como:
- Lesões cerebrais difusas de baixa severidade, que ocasionam problemas de comportamento e atraso no desenvolvimento psicomotor do indivíduo;
- Lesões encefálicas extensas mais severas, podendo resultar em paralisia cerebral infantil, epilepsia ou atraso mental. Além disso, as lesões encefálicas também podem levar à morte do feto no decorrer do parto ou algumas horas após o nascimento, em virtude do comprometimento das funções vitais do mesmo.
O diagnóstico do sofrimento fetal é alcançado através da
monitorização cardiotocográfica do parto, pois por meio deste
procedimento é possível monitorar a reserva respiratória fetal. Um exame
que auxilia no diagnóstico é a amnioscopia que, em muitos casos,
evidencia a expulsão do mecônio, que é indicativo de sofrimento fetal. A
análise laboratorial do sangue fetal aponta com precisão a exacerbada
redução do oxigênio fetal e a consequente elevação da acidez sanguínea.
Quando o sofrimento fetal é comprovado, medidas devem ser adotadas
para resolver o problema quando possível, ou o parto deve ser finalizado
o mais rapidamente possível para não resultar em lesões irreversíveis
no feto. Quando o sofrimento fetal ocorre antes do parto, deve-se
recorrer à cesariana.
minha filha morreu por causa disso ou no meu pensamento DEUS sabe o que faz....
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