sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mortes maternas caem um terço em todo o mundo – Causas mais comuns são as infecções!

Estimativas das Nações Unidas revelam que menos mulheres estão morrendo por causas relacionadas à gravidez, mas ainda são mil mortes diárias em todo o mundo e será preciso fazer mais para se atingir os objetivos estabelecidos
Genebra, 15 de setembro – O número de mulheres que morrem em consequência de complicações durante a gravidez e o parto diminuiu 34%, de uma estimativa de 546 mil casos em 1990 para 358 mil em 2008, de acordo com um novo relatório, “Tendências da mortalidade materna”, lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Banco Mundial, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
O progresso é notável, mas a taxa anual de declínio é menos da metade do que é necessário para atingir o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) 5, de redução da taxa de mortalidade materna em 75% entre 1990 e 2015. Isso exigiria um declínio anual de 5,5%, enquanto a queda de 34% desde 1990 representa uma diminuição média anual de apenas 2,3%.
“A redução global das taxas de mortalidade materna é uma notícia encorajadora”, afirma Margaret Chan, Diretora-Geral da OMS. “Os países onde as mulheres enfrentam um risco elevado de morte durante a gravidez ou parto estão tomando medidas que estão se provando eficazes; eles estão treinando mais parteiras e reforçando centros de saúde e hospitais que dão assistência às mulheres grávidas. Nenhuma mulher deveria morrer devido à falta de acesso ao planejamento familiar e aos cuidados com a gravidez e o parto”.
Mulheres grávidas continuam morrendo devido a quatro causas principais: hemorragia severa após o parto, infecções, distúrbios hipertensivos e abortos inseguros. Em 2008, cerca de mil mulheres morreram a cada dia em todo o mundo devido a essas complicações. Entre elas, 570 viviam na África ao sul do Saara; 300, no Sudeste Asiático; e 5, em países de alta renda. O risco de uma mulher em um país em desenvolvimento morrer devido a uma causa relacionada à gravidez ao longo da vida é aproximadamente 36 vezes maior em comparação com uma mulher vivendo em um país desenvolvido.
“Para alcançar o nosso objetivo global de melhorar a saúde materna e salvar a vida das mulheres, nós precisamos fazer mais para chegar àquelas que estão em maior risco”, disse Anthony Lake, Diretor Executivo do UNICEF. “Isso significa alcançar mulheres nas zonas rurais e nas famílias mais pobres, as mulheres de minorias étnicas e grupos indígenas, mulheres vivendo com HIV e em zonas de conflito.”
As novas estimativas mostram que é possível evitar que muitas outras mulheres morram. Os países precisam investir em seus sistemas de saúde e na qualidade do atendimento.
 “As mortes maternas são ao mesmo tempo causadas pela pobreza e causa dela. O custo de um parto pode consumir rapidamente a renda de uma família, trazendo ainda mais dificuldades financeiras”, disse Tama Manuelyan Atinc, vice-presidente para o Desenvolvimento Humano do Banco Mundial. “Dada à fragilidade dos sistemas de saúde em muitos países, temos de trabalhar em estreita colaboração com os governos, doadores, agências e outros parceiros para fortalecer esses sistemas e oferecer às mulheres acesso significativamente melhor ao planejamento familiar e outros serviços de saúde reprodutiva, além de parteiras qualificadas para o parto, cuidados de emergência obstétrica e cuidados no pós-parto para as mães e recém-nascidos.”
O relatório, que abrange o período entre 1990 e 2008, também destaca:
  • Dez dos 87 países com razão de mortalidade materna igual ou superior a 100 em 1990 estão no caminho certo, com um declínio médio anual de 5,5% entre 1990 e 2008. No outro extremo, 30 países tiveram progresso insuficiente ou inexistente desde 1990.
  • O estudo mostra o progresso da África ao sul do Saara, onde a mortalidade materna diminuiu em 26%.
  • Estima-se que na Ásia o número de mortes maternas caiu de 315 mil para 139 mil entre 1990 e 2008, um declínio de 52%.
  • Noventa e nove por cento das mortes maternas em 2008 ocorreram em países em desenvolvimento, com a África ao sul do Saara e a Ásia correspondendo, respectivamente, a 57% e 30% do total de óbitos.
“Precisamos fazer mais para fortalecer os sistemas nacionais de coleta de dados”, disse Margaret Chan. “É vital apoiar o desenvolvimento de sistemas completos e precisos de registro civil dos nascimentos, óbitos e as causas da morte. Toda morte materna precisa ser levada em conta”, acrescenta.
O relatório e uma descrição detalhada da metodologia e os dados de base utilizados estão disponíveis (somente em inglês) no site da OMS.

Fonte: http://www.unicef.org/brazil/pt/media_18811.htm

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