segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ministério da Saúde atualiza casos notificados de febre amarela no país

Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo confirmaram casos da doença. No total, 12,7 milhões de doses extras foram enviadas para os estados com registros de casos, além de outros localizados na divisa com áreas que tenham casos notificados 

O Ministério da Saúde atualizou as informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde sobre a situação da febre amarela no país. Até esta sexta-feira (17), foram confirmados 263 casos da doença. Ao todo, foram notificados 1.258 casos suspeitos, sendo que 882 permanecem em investigação e 113 foram descartados. Dos 200 óbitos notificados, 89 foram confirmados, 108 ainda são investigados e 3 foram descartados. Os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Tocantins e Rio Grande do Norte continuam com casos em investigação e/ou confirmados.

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Desde o início deste ano, o Ministério da Saúde tem enviado doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando casos suspeitos da doença, além de outros localizados na divisa com áreas que tenham notificado casos. No total, 12,7 milhões de doses extras foram enviadas para cinco estados: Minas Gerais (5,5 milhões), São Paulo (2,75 milhões), Espírito Santo (2,5 milhões), Rio de Janeiro (1,05 milhão) e Bahia (900 mil). O quantitativo é um adicional às doses de rotina do Calendário Nacional de Vacinação, enviadas mensalmente aos estados.

Distribuição dos casos de febre amarela notificados até 17 de fevereiro, às 13h:
UF
Notificados
Em investigação
Confirmados
Descartados
Municípios
MG1
1.032
748
225
59
80
ES
163
111
34
18
30
SP
16
6
4
6
14
BA
15
8
0
7
8
TO
6
3
0
3
4
RN
1
1
0
0
1
UF do LPI em investigação2
5
5
0
0
-
Descartados por outras UF3
20
-
-
20
-
Total
1.258
882
263
113
137

1
Incluídos casos notificados pelas SES BA, ES, GO, SP, SC, PI, RJ e DF com LPI em MG.

2 Incluídos casos notificados pelas SES PI, SC, AL e DF com LPI em Investigação.
3 Incluídos casos descartados pelas SES GO, MS, AM, PA e DF.
 

Distribuição dos óbitos de febre amarela notificados até 17 de fevereiro, às 13h:
UF
Notificados
Em investigação
Confirmados
Descartados
Municípios
MG1
172
95
77
0
45
ES
19
9
9
1
10
SP
4
1
3
0
4
BA
1
1
0
0
1
TO
1
1
0
0
1
RN
1
1
0
0
1
Descartados  por outras UF2
2
-
-
2
-
Total
200
108
89
3
62

1 Incluídos óbitos notificados pelas SES da BA, SP, ES e DF com Local Provável de Infecção em Minas Gerais.
2 Incluídos óbitos descartados pelas SES GO e DF.
VACINAÇÃO – A vacinação de rotina é ofertada em 19 estados do país com recomendação para imunização. Também precisam se vacinar, neste momento, pessoas que vão viajar ou vivem nas regiões que estão registrando casos da doença: leste de Minas Gerais, oeste do Espírito Santo, noroeste do Rio de Janeiro, oeste da Bahia e algumas cidades de São Paulo. Não há necessidade de corrida aos postos de saúde, já que há doses suficientes para atender as regiões com recomendação de vacinação.

Mapa das áreas com recomendação de vacinação neste momento:



Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/27648-ministerio-da-saude-atualiza-casos-notificados-de-febre-amarela-no-pais-17-02 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

31/01 - DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA HANSENÍASE: Em 10 anos, o número de novos casos de Hanseníase cai 34%

Detecção precoce, busca ativa e acompanhamento adequado contribuíram para o avanço ao enfretamento da doença no país 

No Dia Mundial de Luta contra Hanseníase, celebrado em 31 de janeiro, novos dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam redução de 34,1% no número de casos novos diagnosticados no Brasil, passando de 43.652, em 2006, para 28.761 no ano de 2015. Essa redução está associada à queda de 39,7% da taxa de detecção geral do país, que passou de 23,37 por 100 mil habitantes, em 2006, para 14,07/100 mil habitantes em 2015. A redução é resultado das ações implantadas no país para o enfrentamento da doença, com foco na busca ativa de casos novos para o diagnóstico na fase inicial; tratamento oportuno e cura, bem como a prevenção de incapacidades e deformidades físicas, principal causa do estigma e preconceito associados à doença.
Em menores de 15 anos, o número de casos novos da doença diagnosticados em 2015 foi de 2.113, sinalizando, assim, focos de infecção ativos e transmissão recente. Contudo, a taxa de detecção geral nessa parcela da população apresentou uma redução acumulada de 28,2% na última década, passando de 6,22 por 100 mil habitantes em 2006, para 4,46 por 100 mil habitantes em 2015.
O número de pacientes em tratamento no país também caiu, passou de 26,3 mil pacientes em 2006 para 20,7 mil em 2015, demonstrando uma queda de 21,3%. “A busca ativa de casos e exame dos contatos proporciona a redução na cadeia de transmissão. Identificando precocemente o doente, é possível iniciar o tratamento, diminuir a contaminação de pessoas sadias e avançar no processo de eliminação da doença, que é um problema de saúde pública no Brasil”, explica a Coordenadora-Geral de Hanseníase e doenças em eliminação, Carmelita Ribeiro Filha.

BUSCA ATIVA EM CRIANÇAS – O Ministério tem intensificado a busca ativa de casos em crianças, a fim de diagnosticar e iniciar o tratamento contra a doença o mais cedo possível, reduzindo a transmissão e as incapacidades decorrentes do diagnóstico tardio.
Para isso, deste 2013, realiza, nas escolas a Campanha Nacional de Hanseníase, Geo-helmintíases e Tracoma, para identificar casos suspeitos de hanseníase, tratamento coletivo para geo-helmintíases e detecção e tratamento de casos de tracoma nos escolares e seus contatos domiciliares. A quarta edição da Campanha iniciou em agosto de 2016 e será realizada até o dia 17 de abril deste ano.
Na terceira edição, realizada em 2015, participaram 2.292 municípios, totalizando um aumento de 269% em relação ao primeiro ano da Campanha (852 mun/2013). Nas três primeiras edições da Campanha, cerca de 16 milhões de escolares receberam a ficha de autoimagem. Destes, 1,3 milhões foram examinados para hanseníase e 917 tiveram diagnóstico confirmado, além de 121 casos novos entre os contatos. A quarta edição da Campanha, iniciada em agosto de 2016, será realizada até 17 de abril deste ano. Até o momento, 431.436 escolares foram examinados para hanseníase e 58 casos novos diagnosticados.

DIA MUNDIAL DE LUTA – O Ministério da Saúde tem promovido, em parcerias com estados e municípios, ações de educação em saúde para alertar a população sobre os sinais e sintomas da doença, incentivando a procura pelos serviços de saúde.
Também há uma mobilização de profissionais de saúde à busca ativa de casos novos de hanseníase com foco para o diagnóstico precoce da doença, exame dos contatos e a prevenção das incapacidades e deformidades físicas.
Ainda para marcar a data de luta contra a doença, o edifício sede do Ministério da Saúde receberá projeção de luz na cor roxa, entre os dias 31 de janeiro há 28 de fevereiro.

DETECÇÃO E TRATAMENTO – A Hanseníase é uma doença crônica, transmissível, de notificação e investigação compulsória, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, capaz de infectar grande número de pessoas.
A transmissão se dá de uma pessoa doente sem tratamento para outra, após um contato próximo e prolongado, especialmente os de convivência domiciliar.  A doença, que atinge pele e nervos tem cura. Se não diagnosticada e tratada precocemente, pode causar incapacidades e deformidades físicas.
Por isso, a recomendação do Ministério da Saúde é que as pessoas procurem o serviço de saúde ao aparecimento de manchas em qualquer parte do corpo, principalmente se essa mancha apresentar alteração de sensibilidade ao calor e ao toque, configurando como um dos sinais e sintomas sugestivos da doença.
O tratamento ofertado pelo SUS nas unidades públicas de saúde de todo o país é feito por via oral, com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação de três antibióticos. O esquema de tratamento depende da classificação da doença: Paucibacilar (PB) com seis doses em até nove meses, ou Multibacilar (MB), com 12 doses em até 18 meses. Além do exame dermatológico, os pacientes deverão ser submetidos a uma avaliação neurológica simplificada, orientados quanto aos cuidados com olhos, mãos e pés para prevenção de incapacidades.

Por Ana Cláudia e Nivaldo Coelho, da Agência Saúde
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Cientistas e sociedade civil unem-se contra arboviroses em Minas

Movimentos sociais feministas de Minas Gerais, profissionais de saúde que atuam no Programa de Saúde da Família (PSF) e gestores de saúde do estado são os protagonistas de um projeto que vem sendo desenvolvido por meio de uma parceria entre a Universidade de York (Inglaterra), Fundação João Pinheiro e a Fiocruz Minas. A partir de um enfoque das ciências sociais, o trabalho visa levantar e compreender as principais dificuldades enfrentadas pelos agentes comunitários, diante da tarefa de evitar a propagação das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti (dengue, zika, chikungunya, febre amarela), também conhecidas como arboviroses. Ao final do processo, pretende-se elaborar estratégias de ação no âmbito das políticas públicas, bem como fornecer novas ferramentas que, ao refletirem as reais demandas, possam gerar uma compreensão mais aprofundada dos desafios colocados pelas epidemias.
Com o título Movimentos Sociais feministas e a resposta à síndrome de zika no Brasil: mitigando negligências por meio de abordagens centradas na comunidade, o projeto tem como um dos diferenciais o envolvimento da Articulação das Mulheres do Campo de Minas Gerais, um espaço de interlocução que envolve diferentes movimentos, organizações e redes do estado. A intenção é dar voz a essas pessoas, de forma a descobrir demandas que possam refletir as interseções entre gênero e raça, desapropriação econômica, vulnerabilidade ambiental, demandas e acessos aos serviços de saúde e formas precárias de vida ligadas à produção agrícola em meio rural e urbano que interferem nos aspectos sociais ligados à epidemia.
“Nosso objetivo é ouvir esses grupos e, mais do que isso, levar as demandas apontadas por eles a outras esferas, como a dos gestores públicos.  E, sabendo do protagonismo da mulher nas questões que envolvem a família e a comunidade, nada mais eficiente do que envolvê-las nesse debate. Certamente, temos muito o que aprender com tais grupos que, historicamente, dependem de redes de apoio e de práticas de cuidado, que ultrapassam a esfera da assistência nos serviços públicos de saúde”, afirma a pesquisadora da Fiocruz Minas, Denise Nacif Pimenta.
O projeto, que foi pensado em 2016 e recebe financiamento da Universidade de York (Inglaterra), faz parte da rede “Ciências Sociais e Humanidades frente à epidemia de zika”, coordenada pela Fiocruz no Rio de Janeiro e foi aprovado pelo Institutional Links Zika, construído em parceria entre a Fiocruz e a British Council – Fundo Newton.
O projeto inclui três etapas: levantamento das demandas; promoção de debate e articulação entre a sociedade civil, profissionais de saúde e gestores políticos; e, finalmente, elaboração de materiais educativos, bem como de um documento com os principais resultados, que possam subsidiar ações e estratégia no âmbito das políticas públicas para melhorar os aspectos identificados como problemáticos.
“O objetivo principal do projeto é estabelecer o diálogo e promover a escuta de agentes comunitários de saúde, agentes de endemias e gerentes de unidades básicas de saúde”, explica a pesquisadora da Fundação João Pinheiro, Maria Nogueira. Segundo ela, esses são atores importantes para a compreensão do cenário sociocultural da epidemia, dos aspectos relacionados à gestão e execução de atividades diretamente relacionadas à prevenção e ao controle das arboviroses, bem como ao encaminhamento e acompanhamento dos grupos afetados.
Também estão sendo entrevistadas mulheres grávidas ou que tiveram bebês recentemente. De acordo com a pesquisadora, a intenção é dar voz a essas usuárias dos serviços, uma vez que o espaço de escuta e diálogo costuma ser negligenciado.
“Os dados apontam para um cenário de medo, preocupação, falta de informação e muitas dúvidas. No caso dos agentes, os relatos nos revelam um quadro preocupante de falta de informação, pouca ou nenhuma capacitação e falta de materiais informativos e educativos para auxiliá-los no trabalho com a população”, comenta Maria Nogueira.
Workshop
O projeto prevê a realização de um workshop, com a participação dos movimentos sociais feministas, profissionais de saúde, gestores estaduais e municipais da área de saúde e pesquisadores. Será uma oportunidade de promover o diálogo entre esses diversos públicos que raramente se encontram.
“Faremos a apresentação dos dados coletados, estimulando a discussão entre os participantes. Sem dúvida, será um momento bastante produtivo, pois pessoas de campos diferentes e com papéis tão distintos poderão dialogar”, conta Denise Pimenta.
Os materiais informativos e educativos serão produzidos até o fim deste ano. O formato e o conteúdo serão definidos depois de finalizada a fase de coleta de dados, uma vez que a tônica do projeto é gerar produtos que dialoguem com a realidade sociocultural dos atores envolvidos.
“Não queremos trabalhar na lógica da produção vertical que desconsidera as especificidades dos sujeitos sociais e o contexto no qual estão inseridos. A produção compartilhada da criatividade, aspectos lúdicos e contextualização serão ingredientes fundamentais para que possamos nos comunicar de forma mais eficaz”, destaca Maria Nogueira.
Por meio de uma parceria com a TV Minas, também serão produzidos materiais audiovisuais, que poderão ser usados em atividades de ensino a distância. Outro importante produto será um documento elaborado com base nas conclusões do workshop, que poderá ser utilizado para nortear as políticas públicas relacionadas às arboviroses.
Projeto integrador
Ao promover interação entre os movimentos sociais feministas ligados à agroecologia, profissionais de saúde, pesquisadores e gestores políticos, o projeto preenche uma lacuna importante, que é promover um melhor conhecimento do contexto social das arboviroses e maior participação coletiva na definição de políticas públicas.
“Essa melhor compreensão e interação entre os diferentes atores podem contribuir para um conhecimento mais aprofundado do problema muldimensional das arboviroses, além de uma identificação mais precisa das necessidades dos grupos mais vulneráveis, permitindo assim a definição de políticas públicas mais eficazes e inclusivas”, destaca o pesquisador da Universidade de York, João Nunes.
Segundo o pesquisador, a recente epidemia de zika trouxe algumas lições importantes não apenas para os gestores, mas também para os pesquisadores na área de saúde. Para ele, a situação demonstrou, primeiramente, as insuficiências de políticas centradas no controle químico do vetor, que abordam o problema como uma questão meramente pela via biomédica, focadas no desenvolvimento e aplicação de instrumentos técnicos ou farmacológicos, independentemente do contexto político, econômico e social.
Ainda de acordo com o pesquisador, a resposta à epidemia de zika também demonstrou os limites de uma estratégia voltada para a responsabilização individual, ou seja, uma estratégia que se baseia na alteração de comportamentos individuais, sem considerar o ambiente e contexto social no qual as decisões individuais são tomadas. Para Nunes, a epidemia de zika revelou ainda até que ponto a vulnerabilidade às arboviroses é condicionada por determinantes econômicos e de gênero.
“As populações economicamente mais carentes e, principalmente, as mulheres e seus filhos em situação de extrema carência estão não apenas particularmente vulneráveis às doenças, mas também numa situação de difícil acesso aos mecanismos de resposta a estas doenças, em especial o acesso aos serviços de saúde. Essa dimensão social e política tem sido negligenciada pelas atuais políticas de controle das arboviroses, o que se repete para a epidemia de zika”, avalia.
Para a pesquisadora Denise Pimenta, as ciências biomédicas e as ciências sociais e humanas tendem a não dialogar entre si. Dessa forma, as ciências sociais têm sido sistematicamente excluídas da discussão e delineamento das políticas e campanhas de prevenção e controle das arboviroses.
“Os campos científicos não se falam nem trocam experiências, não participam dos mesmos eventos científicos, não leem nem publicam nas mesmas revistas, não participam dos mesmos comitês científicos e de delineamento de políticas públicas”, afirma. Na opinião da pesquisadora, isso agrava ainda mais a dificuldade de produção mais ampla do conhecimento social necessário para compreensão integrada da problemática da prevenção e controle das arboviroses.
“Esse projeto busca exatamente atuar nessa questão: unir esforços e conhecimento científico, bem como da ciência biomédica e das ciências sociais e humanas”, diz.

Keila Maia (Fiocruz Minas)
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/27482-ministerio-da-saude-divulga-novos-dados-de-febre-amarela 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Saiba quem deve se vacinar contra a febre amarela

 A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da saúde, explica sobre o número de doses necessário, como a vacina deve ser administrada, além da recomendação para viajantes e população em áreas de risco.

Nesta entrevista ao Blog da Saúde, a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues, esclarece que não há mudança no esquema vacinal da febre amarela. A estratégia de duas doses, adotada no Brasil, é segura e garante proteção durante toda a vida. A população que não vive na área de recomendação ou não vai se dirigir a essas áreas não precisa buscar a vacinação neste momento.

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Ministério da Saúde amplia a proteção à vacinação contra a febre amarela
Perguntas e respostas sobre a Febre Amarela


A coordenadora explica que a vacina contra febre amarela é a medida mais importante para prevenção e controle da doença e apresenta eficácia de aproximadamente 95%, além de ser reconhecidamente eficaz e segura.  Entretanto, assim como qualquer vacina ou medicamento, pode causar eventos adversos como febre, dor local, dor de cabeça, dor no corpo, entre outros. Portanto, mesmo em um momento de intensificar as ações de vigilância da febre amarela, é necessário orientar a população quanto à necessidade de se vacinar.

Qual o esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde para a febre amarela?

Carla Domingues: O esquema da febre amarela é de duas doses, tanto para adultos quanto para crianças. As crianças devem receber as vacinas aos nove meses e aos quatro anos de idade. Assim, a proteção está garantida para o resto da vida. Para quem não tomou as doses na infância, a orientação é de uma dose da vacina e outra de reforço, dez anos depois da primeira. As recomendações são apenas para as pessoas que vivem ou viajam para as áreas de recomendação da vacina. A população que não vive na área de recomendação ou não vai se dirigir a essas áreas não precisa buscar a vacinação neste momento.

No momento, com os casos confirmados no estado de Minas Gerais, há mudança na indicação da vacina contra a febre amarela?

Carla Domingues: Não há mudança no esquema de vacinação. Devem se vacinar contra a febre amarela apenas pessoas que moram nas áreas de recomendação da vacina ou que viajam para essas localidades e que estão com o esquema de vacinação incompleto, ou seja, quem não tomou as duas doses recomendadas pelo Ministério da Saúde. Para adultos que tomaram a primeira dose há menos de dez anos, também não há necessidade de adiantar a dose de reforço.

Leia a entrevista para Web Rádio Saúde do diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, sobre as dúvidas mais comuns da população a respeito da 

Febre Amarela:

Confira os lugares que são classificados como áreas de risco:


Lista de Municípios com recomendação para Vacinação contra a Febre Amarela. 

Para quem já tomou duas doses da vacina e mora nas áreas de recomendação, uma terceira dose significa mais proteção?

Carla Domingues: As duas doses são o suficiente para proteger durante toda a vida. Uma terceira dose não vai criar nenhuma proteção adicional. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda uma única dose para toda a vida. O Brasil, buscando uma maior segurança, adota o esquema de duas doses. Portanto, quem recebeu duas doses, na infância ou na fase adulta, já está devidamente protegido e não precisa buscar o serviço de saúde.

E para quem perdeu o cartão de vacinação e não tem conhecimento da própria situação vacinal, qual a orientação?

Carla Domingues:
Quem perdeu o cartão de vacinação deve procurar o serviço de saúde que costuma frequentar e tentar resgatar o histórico. Caso isso não seja possível, a recomendação é iniciar o esquema normalmente. Portanto, pessoas a partir de cinco anos de idade que nunca foram vacinadas ou sem comprovante de vacinação devem receber a primeira dose da vacina e um reforço, dez anos depois. Essa recomendação é apenas para as áreas de recomendação da vacina. Vale destacar a situação de saúde deve ser informada ao profissional de saúde, para que seja possível avaliar se há contraindicação.

Quais são as contraindicações para a vacina da febre amarela?

Carla Domingues:
A vacina é contraindicada para crianças menores de seis meses, idosos acima dos 60 anos, gestantes, mulheres que amamentam crianças de até seis meses, pacientes em tratamento de câncer e pessoas imunodeprimidas. Em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação para estes grupos, levando em conta o risco de eventos adversos.
- Qual a orientação para turistas estrangeiros que visitam as áreas de recomendação de vacina no Brasil?
Carla Domingues: Para turistas que forem se dirigir a uma área com recomendação de vacina - tanto estrangeiros quanto brasileiros – e que não completaram o esquema de duas doses, a recomendação é que seja vacinado pelo menos dez dias antes da viagem, que é o tempo que a vacina leva para criar anticorpos e a pessoa estar devidamente protegida. Quem tomou a primeira dose há menos de dez anos não precisa adiantar o reforço.

No caso das crianças que vão iniciar o esquema, existe algum risco em receber a febre amarela junto com outras vacinas?

Carla Domingues: A vacina para febre amarela não deve ser aplicada ao mesmo tempo que a vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, rubéola e caxumba) ou tetra viral (que protege contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela). Se a criança tiver alguma dose do Calendário Nacional de Vacinação em atraso, ela pode tomar junto com a febre amarela, com exceção da tríplice viral ou tetra viral. A criança que não recebeu a vacina para febre amarela nem a tríplice viral ou tetra viral e for atualizar a situação vacinal, a orientação é receber a dose de febre amarela e agendar a proteção com a tríplice viral ou tetra viral para 30 dias depois.

Por Camila Bogaz, da Agência Saúde/Ascom-MS