Ainda assim, equilibrou-se bastante a relação entre os gêneros. Se no passado, quando a epidemia começou, havia registros de casos de uma mulher para cada sete homens, o cenário se estabiliza hoje em 1,7 casos em homens para cada um em mulher. Outro grupo em que a doença se concentra, aliás, é o das prostitutas, com 4,9%. Segundo ele, daí a necessidade de estratégias especiais para falar com esse grupo.
Entre as unidades federativas, se em São Paulo há uma tendência importante de redução, no Nordeste ela é de crescimento. E é preciso ter um cuidado especial em estados do sul, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que lideram as taxas de incidência, por motivos não esclarecidos. “Pode-se apenas pensar em hipóteses, por enquanto, como a cultura masculina gaúcha mais machista, que o faria evitar mais os centros de saúde, por exemplo”, imagina ele.
Como resposta a isso, houve um compromisso com o governo do Rio Grande do Sul para um plano estratégico sobre seus 11 municípios com maior prevalência, que se concentram na região metropolitana de Porto Alegre. Isso inclui mais monitoramento continuado. Estados do norte, como Amazonas e Acre, também estão entre as incidências mais altas.
Testagem
Barbosa também chamou atenção para a necessidade de se disseminar a testagem de Aids. Ele estimou que haveria 160 mil pessoas que ainda precisariam conhecer sua condição com a doença. “Tem que saber. Se é terrível saber que está com câncer, leucemia, grávida aos 14 anos? Mas parece que no caso da Aids o médico não se sente muito à vontade em indicar o teste. Parece que está sugerindo que a pessoa pulou a cerca se tem uma relação estável, ou que teria relação homossexual.”
Ele lembra que, às vezes, aumentar a taxa de detecção de Aids em alguma região é positivo, porque significa que o serviço de saúde está se organizando melhor. De todo modo, estamos falando de casos antigos. Normalmente, encontram-se casos de infecções de 15, 20 anos atrás.
Ao menos, o secretário afirmou que, devido a um esforço muito grande do Brasil, hoje calcula-se que 80% das gestantes são alcançadas pelo exame.
Ele lamentou ainda que o assunto não esteja muito em evidência atualmente, apesar da enxurrada de informações dos anos 80 e 90. “Os novos jovens parecem ter a falsa impressão de que Aids tem cura, não seja tão perigosa”. Em razão disso, ele destaca a importância de um evento como este.
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