terça-feira, 3 de julho de 2018

Alerta: 312 cidades têm baixa cobertura vacinal da pólio

O perigo de reintrodução da polio no Brasil foi discutido na reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), que reúne o Ministério da Saúde e representantes de estados e municípios
As baixas coberturas vacinais, principalmente em crianças menores de cinco anos, acendeu uma luz vermelha no país. Em reunião com representantes de estados e municípios, o Ministério da Saúde alertou que 312 municípios brasileiros estão com cobertura vacinal abaixo de 50% para a poliomielite. Vale destacar que a pólio é uma doença já erradicada no país. O dado foi divulgado pela coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI), Carla Domingues, durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), na última quinta-feira (28/06).
Recomendar a cobertura vacinal homogênea no país é um trabalho constante do Ministério da Saúde. Periodicamente, a coordenação do PNI emite notas técnicas para estados e municípios sobre o monitoramento e avaliação das coberturas vacinais. Também tem pautado frequentemente o tema nas discussões em fóruns, como Comissão Intergestores Tripartite (CIT), que reúne representantes de todos os estados e municípios. "O risco existe para todos os municípios que estão com coberturas abaixo de 95%. Temos que ter em mente que a vacinação é a única forma de prevenção da Poliomielite e de outras doenças que não circulam mais no país. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas, conforme esquema de vacinação de rotina e na campanha nacional anual. É uma questão de responsabilidade social”, concluiu a coordenadora do PNI, Carla Domingues.
Para os estados que estão abaixo da meta de vacinação, o Ministério da Saúde  tem orientado os gestores locais que organizem suas redes, inclusive com a possibilidade de readequação de horários mais compatíveis com a rotina da população brasileira. Outra orientação é o reforço das parcerias com as creches e escolas, ambientes que potencializam a mobilização sobre a vacina por envolver também o núcleo familiar. Outro alerta constante da Pasta é para que estados e municípios mantenham os sistemas de informação devidamente atualizados.
O Ministério da Saúde ainda reforça que todos os pais e responsáveis têm a obrigação de atualizar as cadernetas de seus filhos, em especial das crianças menores de cinco anos que devem ser vacinadas, conforme esquema de vacinação de rotina. "As vacinas ofertadas pelo SUS estão disponíveis durante todo o ano, exceto a da gripe que faz parte de uma campanha e exige um período específico de proteção, que é antes do inverno", enfatizou Carla Domingues. Uma oportunidade de atualizar caderneta será na próxima Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, que acontecerá no período de 6 a 31 de agosto de 2018.
Outra atuação do Ministério é a disseminação de informações sobre vacinação em seus meios de comunicação, seja por campanhas publicitárias por meio de entrevistas de especialistas; interação nas redes sociais, publicação de matérias no Portal Saúde e discussão com as Sociedades Médicas. "Em muitos casos, pais e responsáveis não vêm mais algumas doenças como um risco, como é o exemplo da poliomielite. Por isso, é necessário ressaltar a importância da imunização e desmistificar a ideia de que a vacinação traz malefícios", ressaltou Carla Domingues. A diretora do PNI ainda destacou que as vacinas são completamente seguras. "Em alguns casos, as vacinas podem levar a eventos adversos, assim como ocorre com os medicamentos, mas são infinitamente menores que os malefícios trazidos pelas doenças. As vacinas são seguras e passam por um rígido processo de validação", completou.

País livre da pólio

O Brasil está livre da poliomielite desde 1990. Em 1994, o país recebeu, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem. Por isso é fundamental a manutenção das elevadas coberturas vacinais, acima de 95%.  Embora o Brasil esteja livre da paralisia infantil desde 1990 é fundamental a continuidade da vacinação para evitar a reintrodução do vírus da poliomielite no país. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, três países ainda são considerados endêmicos (Paquistão, Nigéria e Afeganistão)", explicou a Diretora do PNI, Carla Domingues.
No início do século XX, as doenças imunopreveníveis como poliomielite e varíola eram endêmicas no Brasil, causando elevado número de casos e mortes em todo o país. As ações de imunização e, especialmente os 44 anos de existência do Programa Nacional de Imunizações (PNI), foram responsáveis por mudar o perfil epidemiológico destas doenças no Brasil. Isso foi uma importante conquista da sociedade brasileira, ao demonstrar sua eficiência erradicando a febre amarela urbana, a varíola, bem como a eliminação da poliomielite, da rubéola, da síndrome da rubéola congênita e do sarampo. Além disso, reduziu drasticamente a circulação de agentes patógenos, responsáveis por doenças como a difteria, o tétano e a coqueluche.

Sobre a pólio

A poliomielite ou “paralisia infantil” é uma doença infecto-contagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro de paralisia flácida, de início súbito. O déficit motor instala-se subitamente e sua evolução, frequentemente, não ultrapassa três dias. Acomete em geral os membros inferiores, de forma assimétrica, tendo como principal característica a flacidez muscular, com sensibilidade conservada e arreflexia no segmento atingido.
A transmissão ocorre por contato direto pessoa a pessoa, pela via fecal-oral (mais frequentemente), por objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores, ou pela via oral-oral, através de gotículas de secreções da orofaringe (ao falar, tossir ou espirrar). A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária constituem fatores que favorecem a transmissão do poliovírus.
Por Amanda Mendes, da Agência Saúde
Atendimento à imprensa
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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Medidas simples podem evitar infecção hospitalar

 Infecção contraída em ambientes hospitalares pode levar à morte. O contágio também ocorre em clínicas e consultórios e não é exclusiva de hospitais.
No dia 15 de maio do ano de 1847, na Hungria, o médico-obstetra Ignaz P. Semmelweis defendeu e incorporou a prática da lavagem de mãos como atitude obrigatória para enfermeiros e médicos que entravam nas enfermarias. Uma simples, mas efetiva iniciativa que conseguiu reduzir a taxa de mortalidade das pacientes. Foi por esse motivo que 15 de maio é o Dia Nacional de Controle das Infecções Hospitalares. A data chama a atenção de autoridades sanitárias, diretores de instituições e trabalhadores de saúde sobre a importância do controle das infecções.

Infecção hospitalar

Infecção hospitalar é aquela adquirida dentro do serviço de saúde, principalmente em enfermarias e UTIs e pode ser transmitida de um paciente para outro, assim como para os acompanhantes, se não adotadas as devidas medidas de proteção.
Estima-se que, no Brasil, a taxa de infecções hospitalares atinja 14% das internações. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 234 milhões de pacientes são operados por ano em todo o mundo. Destes, um milhão morre em decorrência de infecções hospitalares e sete milhões apresentam complicações no pós-operatório.
Lavar corretamente as mãos é a melhor prevenção para evitar essas infeções, também provocadas por falha nos procedimentos realizados pelos profissionais de saúde. “Higienização das mãos é a principal forma para evitar infecção. Quando a gente está em um ambiente hospitalar, nós temos várias bactérias em um mesmo ambiente. Por isso, toda vez que você (profissional de saúde) manipular qualquer coisa dentro desse ambiente que vai chegar para o paciente, é importante higienizar as mãos com sabonete líquido ou álcool em gel”, explica o Rafael de Mendonça, consultor técnico do Ministério da Saúde.

Prevenção

Para prevenir a infecção hospitalar, as principais recomendações envolvem hábitos e cuidados dos pacientes e dos profissionais de saúde, além dos protocolos internos dos serviços de saúde.
O Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) do Ministério da Saúde, criado para contribuir para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional, é um dos seis atributos da qualidade do cuidado e tem adquirido grande importância para os pacientes, famílias, gestores e profissionais de saúde, com a finalidade de oferecer uma assistência segura.
A maior parte das infecções hospitalares é provocada por micro-organismos presentes no próprio paciente. Em geral, são micro-organismos que já vivem no nosso corpo ou no meio ambiente e se aproveitam quando o sistema de defesa do paciente está mais frágil.
As infecções adquiridas em serviços de saúde podem ser provocadas também por falha nos procedimentos realizados pelos profissionais de saúde e serem transmitidas pelas mãos do profissional, por materiais ou por contato com outros pacientes infectados.
Pessoas internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) têm ainda maior probabilidade de contrair infecções, pois o uso de equipamentos invasivos, como cateter e respirador (para ventilação mecânica), facilitam a entrada de bactérias e vírus. Lesões na pele do paciente também são portas de entrada para essas infecções. Por isso, a higiene das mãos antes e depois de uma visita ou contato com o paciente é uma das recomendações mais básicas na prevenção de infecções.
Pacientes e acompanhantes de pessoas internadas ou em ambulatórios também podem ajudar na prevenção das infecções com medidas adequadas e lembrando algumas informações para ajudar os profissionais de saúde durante o atendimento.
O objetivo do programa é prevenir as infecções e dar segurança aos pacientes, além de garantir que todos estejam bem informados sobre os cuidados a serem tomados.
Veja também:

Por Luiza Tiné, para o Blog da Saúde

terça-feira, 24 de abril de 2018

Vacina da gripe salva vidas

Durante esta época do ano, algumas regiões já começam a esfriar e a as pessoas começam a ficar preocupadas com a gripe. E é exatamente neste período, antes do inverno, que o Ministério da Saúde realiza a Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe, em parceria com estados e municípios, para proteger a população contra a doença. Neste ano, a campanha é de 23 de abril a 1º de junho.
A vacina contra gripe é segura e salva vidas. Estudos demonstram que a vacinação pode reduzir entre 32% a 45% o número de hospitalizações por pneumonias, de 39% a 75% a mortalidade global e em, aproximadamente, 50% nas doenças relacionadas à influenza.
Os idosos estão mais propícios a sofrer complicações pela doença e a vacinação ajuda a reduzir o número de hospitalizações. Aos 72 anos, Antônio Carlos de Souza sabe da importância da prevenção contra gripe e não deixa de se vacinar todo ano. “A gripe quando me pegava ela me derrubava, e hoje a gripe vem e passa logo. Além disso, não fico de cama como eu ficava antes, não sinto aquela fraqueza”, conta o aposentado.
Proteção para mãe e bebê
É muito importante que as gestantes procurem um posto de vacinação para se proteger contra a gripe. De acordo com a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues, a vacina é segura e tem efeito protetor enorme tanto para a mãe quanto para a criança. “Protege a mãe, porque na gravidez, pela sua condição de gestante, ela tem uma baixa imunidade, então ela está mais propensa a adquirir a gripe. Quando a mãe toma a vacina, ela passa anticorpos para o seu filho, ainda na barriga, e a criança vai nascer já com uma imunidade que nós chamamos de passiva, que vai da mãe para o filho”, explica. 
A vacina protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no último ano no Hemisfério Sul, de acordo com determinação da OMS, (A/H1N1; A/H3N2 e influenza B).
Além das pessoas acima de 60 anos e gestantes, a vacina está disponível para crianças de seis meses a menores de cinco anos (quatro anos, 11 meses e 29 dias), trabalhadores de saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade – o que inclui adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas - e os funcionários do sistema prisional. Os portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais também devem se vacinar.
Professores
Professores também fazem parte do público-alvo da vacinação contra gripe. Isso contribui na redução de ausência desses profissionais por conta da doença e, consequentemente, na melhoria da qualidade do ensino.
Professora de crianças de 5 a 7 anos, Kátia Franca acredita que a vacinação faz bem para ela e para os alunos dela. “É importante para que não ficarmos doentes, para não prejudicar os alunos com a falta de professor. Além disso, ao trabalhar com essa doença, podemos transmitir para eles e prejudicá-los. Ou seja, gera um efeito dominó, o professor estando protegido, protege a família e os alunos”, avalia.
Gripe ou resfriado?
Junto com a gripe, o tempo frio também traz outras doenças respiratórias, como o resfriado. Existe diferença entre eles, mas como os sintomas são muito parecidos.
A gripe é causada pelo vírus influenza. Os principais sintomas são febre alta, seguida de dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça, coriza e tosse seca. A febre mais forte talvez seja o sintoma mais característico e dura em torno de três dias. A transmissão dos vírus da gripe ocorre por meio do contato com secreções das vias respiratórias, de uma pessoa contaminada ao falar, tossir ou espirrar.
Já o resfriado é causado por vírus diferentes, e geralmente acometem crianças. Os sintomas do resfriado, apesar de parecidos com da gripe, são mais leves e duram menos tempo, entre dois e quatro dias, no total. Os sintomas incluem tosse, congestão nasal, coriza, leve dor no corpo e na garganta. Não é muito comum ter febre durante um resfriado e, quando acontece, não é eleva muito a temperaturas do corpo.
Por Luíza Tiné, para o Blog da Saúde 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Febre Amarela: doses fracionadas ajudam no combate à doença

 Com esta campanha de vacinação, o Ministério da Saúde quer garantir a proteção de pessoas em áreas onde o vírus da febre amarela não circulava até então.
O vírus da febre amarela silvestre tem circulado em algumas regiões do Brasil. Para evitar que ele faça vítimas, o Ministério da Saúde adotou um esquema de vacinação especial, com uso de doses fracionadas, em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
A medida é temporária. A coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI), Carla Domingues, esclarece a estratégia. “O período sazonal de circulação do vírus é de dezembro a junho. E agora que o vírus entrou numa área com elevada densidade populacional, temos a necessidade de fazer essa vacinação em curto prazo de tempo para conseguir proteger as pessoas e evitar que tenhamos casos da doença e óbitos”.
Com esta campanha, o Ministério da Saúde quer garantir a proteção de pessoas em áreas onde o vírus não circulava até então. E o fracionamento de doses alcançará este objetivo, como detalha o ministro da Saúde, Ricardo Barros. “A vacina fracionada é tão eficaz quanto a dose integral. Os estudos até agora demonstram isso. Não se trata de falta de vacinas. Nós temos um estoque que vai atender a demanda de outras áreas no Brasil e, com a possibilidade de surgirem novos focos da doença, é preciso ter e manter um estoque estratégico”.
Entretanto, para o sucesso da campanha, a população precisa atender ao chamado e procurar os postos de vacinação nestes estados. “Pessoas que se negam a procurar os postos de vacinação e pessoas que estão viajando para os locais onde o vírus está circulando são as que estão se infectando. É preciso se imunizar”, alerta Marcos Boulos, coordenador de controle de doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo.
Para entender mais sobre a febre amarela e o fracionamento da vacina, o Blog da Saúde preparou perguntas e respostas. Confira:
O que é febre amarela?
A febre amarela é causada por um arbovírus do gênero Flavivirus, transmitido ao homem e aos macacos por meio da picada de mosquitos infectados. Existem dois tipos de transmissão: a silvestre, em que o vírus circula entre mosquitos silvestres e a urbana, quando o vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. O último caso de febre amarela urbana foi registrado no Brasil em 1942. Todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de transmissão.
Por que a vacina será fracionada?
O fracionamento de doses é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) em casos de extensão da febre amarela silvestre de forma intensa, aumentando o risco da expansão da doença em cidades com elevado contingente populacional, exigindo a realização de intensificação vacinal em curto prazo de tempo.
Essa estratégia ajuda a vacinar, em curto espaço de tempo, um grande número de pessoas. Essa medida não visa economia de recursos, porque a campanha pretende vacinar 19,7 milhões de pessoas em 15 dias, e para isso, o Ministério da Saúde precisou investir R$ 54 milhões. O montante será destinado aos estados para tornar possível a realização da campanha, com aquisição de materiais, logística e pessoal.
A dose fracionada tem a mesma eficácia do que a padrão?
Sim. A dose fracionada tem a mesma eficácia da dose padrão, de acordo com estudos do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos de Biomanguinhos/Fiocruz. Ela é absolutamente segura. A proteção comprovada é de, até o momento, oito anos. Depois disso, caso os estudos apontem a necessidade de nova dose, as pessoas serão convidadas para a renovação da vacinação contra a febre amarela. Estas pessoas serão identificadas no momento da vacinação, possibilitando esta convocação, se necessária.
Não haverá campanha em outros estados?
Não. Esta campanha em especifico só acontecerá em 76 municípios de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Nos demais estados (3,5 mil municípios brasileiros) onde há recomendação de vacinação contra a febre amarela, a vacinação continuará na rotina. A vacina de febre amarela está disponível nos postos de vacinação e a população pode se vacinar a qualquer momento, sem a necessidade de campanha.
É importante lembrar que, quem reside nos municípios sem recomendação de vacinação contra a febre amarela, mas vai viajar para estas localidades, precisa se vacinar pelo menos 10 dias antes da viagem.
Além de me vacinar, como posso evitar a febre amarela?
Existem outras formas de prevenção contra a febre amarela. As autoridades sanitárias recomendam o uso de repelentes e roupas com mangas e calças, especialmente em locais de mata.
Erika Braz, para o Blog da Saúde

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Lixo mal descartado pode causar acidentes e doenças

Neste final de ano, as festas, comemorações e confraternizações fazem com que a quantidade de lixo e resíduos produzidos em residências e centros comerciais seja cada vez maior. A Secretaria de Estado da Saúde alerta que a população tome os devidos cuidados e evite que o lixo possa estragar estes momentos de alegria.
O especialista em saúde pública e chefe da Divisão de Vigilância sobre o Meio Ambiente, Celso Rubio, destaca que o resíduo sólido por si só não transmite doenças, mas pode provocar acidentes ou servir de abrigo e alimento para vetores que causam doenças.
“No caso dos acidentes, quem está mais vulnerável é o profissional que trabalha diretamente com a coleta e destinação deste resíduo, como catadores de lixo, carrinheiros e trabalhadores de seleção de material reciclável, por exemplo”, enfatiza Rubio.
Estes trabalhadores frequentemente se veem frente a frente com resíduos pérfuro-cortantes, como cacos de vidro, agulhas e afins, os quais muitas vezes são descartados de maneira inapropriada e podem ferir os profissionais. A recomendação nestes casos é que o resíduo seja colocado dentro de algum recipiente seguro que possa ser lacrado e vedado, diminuindo os riscos de cortes.
“Lâmpadas quebradas e restos de vidro podem ser colocados dentro de garrafas pet, com a devida identificação, o que evita muito as chances de acidentes”, lembra o especialista.
Após a separação, é indicado que os resíduos sejam colocados para serem retirados pelos caminhões de coleta bem próximo do horário em que estes veículos passem no local. Isso evita que pessoas e animais abram os sacos e baguncem os entulhos nas vias públicas, o que aumenta a chance de proliferação de doenças.
O lixo na transmissão de doenças
Mutirão de limpeza dengueUm conceito internacionalmente reconhecido na proliferação de vetores é o dos três A’s, o qual diz que todo local que possa prover alimento, água e abrigo é ideal para os animais que possam transmitir doenças se multipliquem. E o lixo descartado de maneira inadequada cumpre esta função muito bem.
Entre os animais que podem se proliferar no lixo, os que mais causam problemas à saúde das pessoas são ratos, baratas e mosquitos.
Sobre os ratos, o risco é a transmissão da leptospirose. Segundo a chefe da Divisão de Zoonoses e Intoxicações da Secretaria da Saúde, Tânia Portella, esta é uma doença endêmica transmitida por uma bactéria encontrada na água contaminada ou na urina dos roedores.
“Em períodos onde há mais chuvas, como o verão, o risco da leptospirose aumenta, pois há maior probabilidade de haver enchentes, inundações e, consequentemente, maior contato com o transmissor da doença. A leptospirose é uma doença grave, que pode levar até a morte, mas que pode ser tratada”, afirma Tânia.
No ano de 2016, o Paraná registrou 362 casos da doença, sendo que destes, 30 resultaram em óbito. Dados preliminares de 2017 mostram que 186 casos e sete óbitos já foram registrados no Estado este ano.
Já com as baratas, o problema é por onde elas passam. No lixo, estes animais podem ter contato com resíduos orgânicos como restos de papéis higiênicos, ou outros focos de bactérias e, ao entrarem nas casas, levam junto o risco de doenças.
“Em suas patas, as baratas podem levar muitas doenças que adquiriram no lixo. Em casa, estes animais podem transmitir desde diarreia, dores, febres e até doenças mais sérias como a hepatite, tanto às pessoas quanto aos animais de estimação”, enfatizou Rubio.
MOSQUITOS – Os mosquitos são um caso à parte que preocupam ainda mais a saúde da população. Especialmente nesta época do ano eles encontram no lixo o ambiente perfeito para colocarem seus ovos e multiplicarem os riscos de doenças como, por exemplo, a dengue.
“Uma tampinha de garrafa que foi descartada de maneira irregular pode acumular água e tornar-se foco do Aedes aegypti. Além disso, os mosquitos podem transmitir outras doenças ao entrar em contato, por exemplo, com um alimento que esteja descoberto, em cima de uma mesa e que as pessoas vão consumir sem saber dos riscos que estão correndo”, salientou.
EDUCAÇÃO – Os especialistas destacam que é muito difícil que o controle do lixo seja feito apenas pelos órgãos públicos, já que o descarte de resíduos é algo dinâmico e constante. Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde reforça a importância que a população tenha uma consciência ambiental.
Outro conceito bastante usado para diminuir os problemas que o lixo pode causar são os 3R’s: reciclar, reduzir e reutilizar. Com esta ideia, os resíduos são eliminados de maneira sustentável e os resíduos que já não possuem mais serventia podem se transformar em um algo novo.
“De maneira geral, vivemos em uma sociedade que tem certo nível de consciência com relação ao lixo. E quanto maior for o nível de educação da sociedade, maiores serão os resultados que conseguiremos. Hoje já vemos crianças que recebem estes ensinamentos nas escolas e consegue transmiti-los aos pais, mudando inclusive velhos hábitos”, reiterou Rubio.
Fonte: SES/PR

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Registrada vacina do HPV contra 9 subtipos do vírus

Nova vacina aumenta proteção de cinco para nove subtipos do vírus HPV, que provoca os cânceres de útero, da vulva, da vagina e do ânus.
Uma nova vacina aprovada pela Anvisa nesta terça-feira (26/12) ampliou a proteção contra o papilomavírus humano (HPV). O novo medicamento é o Gardasil 9 que inclui cinco novos subtipos na proteção com o HPV.
Esse vírus é o principal fator associado aos cânceres de útero, da vulga, da vagina e do ânus. O Gardasil 9 foi aprovado com indicação para meninos e meninas de 9 a 26 anos. O ideal é que a imunização contra o HPV seja feita antes do início da vida sexual, já que o HPV é transmitido por meio de relações sexuais.
Mais proteção contra o HPV
A nova vacina inclui os subtipos 31, 33, 45, 52 e 58 do HPV, além dos subtipos 6, 11, 16, 18 que existiam na versão anterior do produto. A vacina foi registrada pelo laboratório Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda.
Confira abaixo a indicação completa aprovada para a bula do Gardasil 9:
Gardasil 9 é indicada para a prevenção de cânceres do colo do útero, da vulva, da vagina e do ânus; lesões pré-cancerosas ou displásicas; verrugas genitais e infecções persistentes causadas pelo papilomavírus humano (HPV).
Gardasil 9 é indicada para meninas e mulheres de 9 a 26 anos de idade para prevenir as seguintes doenças:
  • cânceres do colo do útero, da vulva, da vagina e do ânus causados pelos tipos de HPV 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58;
  • verrugas genitais (condiloma acuminado) causadas pelos tipos de HPV 6 e 11.
Além de infecções persistentes e das seguintes lesões pré-cancerosas ou displásicas causadas pelos tipos de HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58:
  • neoplasia intraepitelial cervical (NIC) de graus 2 e 3 e adenocarcinoma do colo do útero in situ (AIS);
  • neoplasia intraepitelial cervical (NIC) de grau 1;
  • neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) de graus 2 e 3;
  • neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA) de graus 2 e 3;
  • NIV de grau 1 e NIVA de grau 1;
  • neoplasia intraepitelial anal (NIA) de graus 1, 2 e 3.
Gardasil 9 é indicada para meninos e homens de 9 a 26 anos de idade para prevenção do câncer do ânus, lesões pré-cancerosas anais ou displásicas, lesões genitais externas (incluindo verrugas genitais) e infecções persistentes causadas pelo HPV.
Gardasil 9 é indicada para prevenção das seguintes doenças:
  • câncer do ânus causado pelos tipos de HPV 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58;
  • verrugas genitais (condiloma acuminado) causadas pelos tipos de HPV 6 e 11.
Além de infecções persistentes, as seguintes lesões pré-cancerosas ou displásicas causadas pelos tipos de HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58:
  • neoplasia intraepitelial anal (NIA) de graus 1, 2 e 3.
Fonte: Anvisa

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Começamos ontem na MMABH a I Oficina de Registro de Agravos de Notificação Compulsória, no Auditório Drª Zilda Arns, às 18h, com os médicos da unidade.


Em breve divulgaremos como foi este nossa primeira oficina! Aguardem!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Profissionais de saúde precisam atentar às especifidades da população negra

Você sabia que existem doenças que acometem mais pessoas de uma determinada população do que outras? Por exemplo, a incidência de casos de glaucoma é maior na população negra, com risco de desenvolver a doença quatro vezes maior do que outras populações. Esse dado foi apresentado neste ano por um estudo e pode ajudar muitas pessoas no diagnóstico da doença, que muitas vezes não apresenta sintomas.
Esse é apenas um dos exemplos que podem ser citados sobre esse assunto. Mas agora que expliquei isso, vai ficar mais fácil você compreender a importância desta sexta-feira (27) ser Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra. A data tenta sensibilizar os profissionais de saúde para as necessidades específicas da população negra, além de trazer reflexões a respeito do racismo institucional e suas consequências à saúde dessas pessoas.
A partir da publicação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), o Ministério da Saúde reconheceu e assumiu a importância de, como instituição democrática voltada a todos os brasileiros, elaborar mecanismos de promoção da saúde integral da população negra e do enfrentamento ao racismo institucional no Sistema Único de Saúde (SUS).
Problemas esses que são cotidianos e incidem negativamente nos indicadores de saúde dessa população – precocidade dos óbitos, altas taxas de mortalidade materna e infantil, maior prevalência de doenças crônicas e infecciosas e altos índices de violência. Por isso, a necessidade de efetivar ações para garantir o acesso da população negra a ações e serviços de saúde, de forma oportuna e humanizada, contribuindo para a melhoria das condições de saúde desta população.
Políticas de Saúde para a população negra
“Nosso objetivo é fomentar a política de saúde da população negra tanto para gestores estaduais e municipais quanto para profissionais de saúde e sociedade como um todo”, explica o diretor Substituto do Departamento de Apoio à Gestão Participativa e ao Controle Social (DAGEP/SGEP), Marcus Vinícius Barbosa Peixinho.
Desde fevereiro deste ano, tornou-se obrigatório o preenchimento do quesito raça/cor no sistema de informações do SUS, o que propiciou o início de um mapeamento de doenças genéticas ou hereditárias que são mais comuns na população negra como, por exemplo, a anemia falciforme, diabetes mellitus e a hipertensão arterial. “Com isso fica mais fácil até mesmo elaborar ações mais transversais com as áreas temáticas dentro do Ministério da Saúde, que podem ser replicadas depois em estados e municípios, ajudando mais pessoas de forma específica”, afirma Marcus Barbosa.
Esses trabalhos já estão rendendo ações práticas, sendo que atualmente o Ministério da Saúde está com duas capacitações de profissionais de saúde em andamento. Uma realizada no Rio Grande do Sul, para capacitar a Atenção Básica com base na política de saúde da população negra e doenças prevalentes, e outra estratégia está em realização no estado de Alagoas, para profissionais da Atenção Básica, mas com foco nas comunidades quilombolas.
Além disso, estão sendo realizadas por todo o país oficinas para médicos para trabalhar em cima dessas doenças mais prevalentes na população negra. “Nós tentamos capacitar médicos e profissionais de saúde tendo como base as estratégias em acordo com política de saúde da população negra”, destacou Marcus Barbosa.
Durante todo o dia 27 e manhã do dia 28, o Ministério da Saúde está realizando, em Salvador (BA), a “Oficina Técnica de Médicos e Cirurgiões Dentistas sobre Doenças Prevalentes na População Negra”. O evento é uma alusão a data e, também, um desdobramento da “Oficina Técnica de Médicos sobre Doenças Prevalentes na População Negra”, realizada entre o Ministério da Saúde e o Ministério dos Direitos Humanos nos dias 23 e 24 de agosto de 2017, no Edifício Sede do Ministério da Saúde, Auditório Emílio Ribas, em Brasília (DF).
Cartilha
O Ministério da Saúde está com a nova edição da publicação ‘Política Nacional de Saúde Integral da População Negra: uma política do SUS’ – Portaria nº 992 de 13 de maio de 2009 – acrescida do novo Plano Operativo, para o triênio 2017-2019 e da Portaria 344, de 1º de fevereiro de 2017, que dispõe sobre o preenchimento obrigatório do quesito raça/cor nos sistemas de informação de saúde do SUS e demais informações.
A data
Em 2006, o dia 27 de outubro foi instituído como o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra por organizações do movimento negro e trabalhadores de saúde. A proposta surgiu para dar força à expansão da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN). A data tem o objetivo de reforçar os avanços na área da saúde e da ampliação do debate sobre o impacto do racismo na saúde, além de tentar reduzir as desigualdades raciais. Vale lembrar aqui, que esses problemas interferem diretamente na qualidade de vida de uma parcela da população que corresponde a 54% da sociedade do país – de acordo com dados do IBGE.
Janary Damacena, para o Blog da Saúde

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Amamentação ajuda a prevenir o câncer de mama

 A amamentação gera inúmeros benefícios para a saúde da mãe e do bebê. A prevenção do câncer de mama é um deles. O risco de contrair a doença diminui 4,3% a cada 12 meses de duração de amamentação, estima um estudo com mulheres de 30 diferentes nacionalidades, publicado em 2002. Essa proteção independe de idade, etnia, paridade e situação hormonal (pré ou pós- menopausa).
Neste ano, a revisão do Fundo Mundial para Pesquisas sobre Câncer (World Cancer Research Fund - WCRF) sobre lactação e câncer de mama aponta que a amamentação provavelmente diminui o risco de câncer de mama em mulheres até a pós-menopausa. 
Segundo o editor científico da Revista Brasileira de Cancerologia, Ronaldo Corrêa, vários estudos realizados nos últimos 30 anos mostram a associação entre a amamentação e a prevenção do câncer de mama. “Existe uma correlação linear entre o tempo da amamentação e o grau de proteção. Ou seja, quanto mais a mulher amamenta e por mais tempo – se ela teve dois, três partos, e nesses partos ela amamentou durante muito tempo – menor o risco, em comparação com mulheres que não tiveram tantos partos e não amamentaram por tanto tempo”, afirma.


O mecanismo responsável para tal proteção ainda não foi completamente esclarecido, mas existem várias hipóteses para isso. “Tem uma hipótese que afirma que enquanto a mulher amamenta, ela bloqueia os ciclos ovulatórios, diminuindo a sobrecarga hormonal. Ou seja, ela deixa de produzir um quantitativo maior de hormônios femininos nessa fase. Então, isso poderia ser uma explicação plausível, uma vez que grande parte dos casos de câncer de mama sofrem influência dos hormônios femininos”, explica Corrêa.
Outra hipótese seria o fato da maior exfoliação das células dos ductos mamários durante a amamentação e a grande morte programada das células mamárias após a amamentação promoverem a remoção de células com alguma alteração genética.
Em resumo, amamentar provavelmente diminui o risco de câncer de mama em mulheres na pré e pós menopausa, além de estar associado a outros benefícios de saúde para a mulher e para a criança. Manter o peso ideal para a idade, praticar atividades físicas regularmente, não consumir álcool, consumir diariamente uma dieta rica em frutas, verduras e legumes também contribuem para diminuir o risco de câncer de mama.

Câncer de mama
O câncer de mama é o câncer mais frequente no mundo e entre as mulheres, depois do de pele não melanoma, com uma estimativa de mais de dois milhões de casos novos e cerca de 530 mil mortes em 2015 no mundo. Entre 2005 e 2015, no mundo, estima-se que houve um incremento de 43% dos casos de câncer de mama, sendo 2/3 deste crescimento devido ao crescimento e envelhecimento da população. No Brasil, estimam-se 57,9 mil casos novos em 2016/2017.
No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde - assim como a da Organização Mundial da Saúde e a de outros países - é a realização da mamografia de rastreamento (quando não há sinais nem sintomas) em mulheres de 50 a 69 anos, uma vez a cada dois anos.
Para tratar o câncer de mama, o SUS oferece cirurgias oncológicas (mastectomia, conservadoras e reconstrução mamária), radioterapia e quimioterapia. Em 2016, foram um total de 18.488 cirurgias de mastectomias e cirurgias conservadoras, 2,8 milhões de procedimentos de campos de radioterapia e 1.184.622 sessões de quimioterapia, além de 3.348 cirurgias de reconstrução mamária. Cabe destacar que o SUS garante a oferta gratuita de exame de mamografia para as mulheres em todas as faixas etárias, desde que exista recomendação médica.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Surtos de sarampo e rubéola na Europa reforçam a necessidade de vacinação

O alerta é do Ministério da Saúde. Para evitar essas doenças, está disponível no SUS a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)


O reaparecimento de doenças já eliminadas no mundo tem preocupado o Governo Brasileiro. O alerta vem após a divulgação de que países como a França, Itália, Alemanha, Bélgica, Bósnia, Geórgia, Cazaquistão, Romênia, Sérvia, Dinamarca Ucrânia estariam sob risco de surtos de sarampo e/ou rubéola. Embora eliminado no Brasil desde 2001, o sarampo é endêmico em nove países da Europa, como aponta o boletim da Organização Mundial da Saúde (OMS). Já a rubéola, eliminada no Brasil desde 2010, é considerada endêmica em 14 países europeus. Com a globalização, o risco do vírus voltar a circular no país se torna real aumentando a necessidade de manter sempre atualizada a caderneta de vacinação.
O Ministério da Saúde disponibiliza no Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) para evitar essas doenças. Pessoas de 12 meses a 29 anos de idade devem receber a primeira dose aos 12 meses de idade da tríplice viral e aos 15 (quinze) meses, uma dose da vacina tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varíola), que corresponde à segunda dose da vacina tríplice viral e uma dose da vacina varicela. Caso haja atraso na vacinação, crianças até quatro anos de idade ainda poderão receber a vacina com o componente varicela. A partir de cinco até os 29 anos de idade, deverão ser administradas duas doses com a vacina tríplice viral. Pessoas de 30 a 49 aos de idade devem receber uma dose da vacina tríplice viral.
“A vacina contra essas doenças é a única medida preventiva e a mais segura. É importante que o esquema vacinal esteja completo, conforme as indicações do Calendário Nacional de Vacinação. O Brasil tem uma das melhores coberturas vacinais segundo a OMS e o Ministério da Saúde trabalha na perspectiva de atingir coberturas adequadas a cada ano. Por isso é importante que a população procure sempre atualizar a caderneta de vacinação”, explica a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues.
Em 2016, a taxa de cobertura da vacina tríplice viral, administrada em crianças de um ano, atingiu 95,4% do público-alvo. O índice é ideal, visto que a meta para esta vacina é de atingir 95% do público, porém, a segunda dose administrada aos 15 meses da vacina tetra viral teve menor adesão, com 89,2% das crianças vacinadas.

ELIMINAÇÃO - O Brasil recebeu, no segundo semestre de 2016, o certificado de eliminação do sarampo da Organização Panamericana de Saúde (OPAS). Desde o ano 2001, não havia registro de casos autóctones da doença no Brasil. Entre 2013 e 2015, ocorreram surtos relacionados à importação, sendo que o maior número de casos foi registrado nos estados de Pernambuco e Ceará. Após a implementação de medidas de prevenção e controle, como intensificação vacinal, campanhas de seguimento, bloqueio vacinal, varredura e monitoramento rápido de cobertura vacinal, a transmissão foi interrompida.
Para manter a eliminação do sarampo, a OPAS/OMS e o Comitê Internacional de Peritos (CIE) para a Eliminação do Sarampo e da Rubéola recomendam a todos os países das Américas que fortaleçam a vigilância ativa e mantenham a imunidade de sua população por meio da vacinação. O sarampo se torna, assim, mais uma doença prevenível por vacinação a ser eliminada nas Américas, após a varíola em 1973, da poliomielite em 1994 e da rubéola e síndrome de rubéola congênita, em 2015.

RUBEÓLA - O Brasil alcançou a meta de eliminação da Rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita, até o ano de 2010. Desde então, não há registro de casos no país. Em 2008, ocorreu a maior Campanha de Vacinação da Rubéola no mundo, com 65,9 milhões de pessoas na faixa etária de 19 a 39 anos de idade vacinadas, nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Maranhão. Nos demais estados, a faixa etária foi de 20 a 39 anos de idade. Nesse ano, a cobertura vacinal foi de 94%.
A definição das faixas etárias para a Campanha de Vacinação da Rubéola, em 2008, ocorreu após o estudo de coorte de nascidos vivos entre 1927 – 2007 para identificar a população não vacinada. Destaca-se, também, a realização de uma campanha de vacinação em massa dirigida às mulheres em idade fértil, entre os anos de 2001 e 2002. Nesse período, foi introduzida a vacina dupla e tríplice viral no Calendário Básico de Imunização do PNI, processo iniciado em 1992.

PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÕES - O SUS, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), oferece todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no Calendário Nacional. Atualmente, são disponibilizadas pela rede pública de saúde, de todo o país, cerca de 300 milhões de doses de imunobiológicos ao ano, para combater mais de 19 doenças, em diversas faixas etárias.
Ao longo do tempo, a atuação do PNI, ao consolidar uma estratégia de âmbito nacional, apresentou consideráveis avanços. As metas mais recentes contemplam a eliminação do sarampo e do tétano neonatal, além do controle de outras doenças imunopreveníveis como difteria, coqueluche e tétano acidental, hepatite B, meningites, formas graves da tuberculose e rubéola, assim como a manutenção da erradicação da poliomielite.

Por Amanda Mendes, da Agência Saúde
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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Ministério da Saúde amplia oferta do tratamento para aids com medicamento inovador

O dolutegravir será ofertado para todos os pacientes. Troca de terapia será gradual para quem utiliza o Efavirenz. Até o final de 2018, 300 mil pacientes poderão utilizar o antirretroviral   

Todas as pessoas que vivem com HIV e Aids no Brasil terão acesso ao dolutergravir, medicamento mais moderno e eficaz. O anúncio da expansão deste tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) foi feito nesta sexta-feira (29) pelo Ministro da Saúde, Ricardo Barros, no encerramento do Congresso 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais (HepAids 2017), em Curitiba/PR. O evento reuniu desde terça-feira(26), cerca de 4 mil participantes, entre ativistas, cientistas, gestores e profissionais de saúde de todo o Brasil, além de especialistas internacionais. O tema do congresso é “Prevenção Combinada: multiplicando escolhas”. Atualmente, o Dolutegravir é usado por 100 mil pessoas, mas com a expansão do tratamento no SUS, mais de 300 mil pessoas vivendo com HIV e aids, terão acesso ao medicamento até o final de 2018.

O aumento da oferta é mais um resultado do compromisso de otimizar os recursos. Considerado um dos melhores tratamento para a aids do mundo, o medicamento apresenta uma série de vantagens como alta potência; nível muito baixo de eventos adversos; comodidade para o paciente (uma vez ao dia); tratamento eficaz por mais tempo e menor resistência. A incorporação do Dolutegravir não altera o orçamento atual do Ministério da Saúde para a aquisição de antirretrovirais, que é de R$ 1,1 bilhão.

“Essa ampliação decorre dessa nossa prática de economizar e reaplicar essa economia nos serviços de saúde e melhorar a qualidade de vida de todos os brasileiros. Tenho certeza que todos ficaram satisfeitos com essa ampliação do melhor medicamento do mundo para todos os portadores de HIV, além dos aplicativos que ajudarão profissionais e população”, enfatizou o ministro Ricardo Barros.

TRANSMISSÃO VERTICAL - Durante a cerimônia de enceramento do evento, o ministro Ricardo Barros recebeu o processo de solicitação da Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical (TV) do HIV do município de Curitiba. A capital do Paraná é um dos primeiros municípios a aderir à certificação de eliminação da transmissão vertical (de mãe para filho) do HIV. Com o objetivo de incentivar o engajamento dos municípios no combate à transmissão vertical, o Ministério da Saúde lançou no 1º de dezembro do ano passado, com os estados, um selo de Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical de HIV e/ou Sífilis no Brasil.

“Recebemos vários municípios que estão certificados da transmissão vertical do HIV e esperamos que o Brasil todo avance nesse sentido para que possamos na assembleia da ONU do ano que vem ser reconhecidos como mais um pais que eliminou essa transmissão, que é uma tarefa difícil, mas possível de ser eliminada. Tenho certeza que várias cidades saem do Congresso estimulados a fazerem a lição de casa”, ressaltou o ministro.

Tendo como base uma adaptação de critérios já estabelecidos pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a certificação será concedida a municípios cujas taxas de detecção de aids em menores de 5 anos sejam iguais ou inferiores que 0,3 para cada mil crianças nascidas vivas e proporção menor ou igual a 2% de crianças com até 18 meses. Serão certificados, prioritariamente, os municípios com mais de 100 mil habitantes. A certificação será emitida por um Comitê Nacional, em parceria com estados, que fará a verificação local dos parâmetros. Os municípios receberão certificação no Dia Mundial de Luta contra Aids. A estratégia conta com o apoio da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância); Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids no Brasil) e OPAS.

PREP - Outro destaque do Congresso foi o lançamento do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de risco à infecção pelo HIV. A medida de prevenção reduz o risco da infecção pelo HIV antes da exposição, por meio da utilização de medicamentos antirretrovirais (tenofovir associado à entricitabina) em pessoas não infectadas e que mantêm relações de risco com maior frequência. Entre o público-alvo da medida estão homens que fazem sexo com homens, gays, travestis, transexuais, profissionais do sexo e casais soro diferentes.

O documento traz as orientações para utilização dessa nova estratégia de prevenção dentro do SUS. Entre outros temas, o protocolo ressalta que o fato de fazer parte desses grupos não é suficiente para caracterizar indivíduos com exposição frequente ao HIV. Além disso, o protocolo orienta aos profissionais de saúde observar as práticas sexuais, as parcerias sexuais e os contextos específicos associados a um maior risco de infecção. Na entrevista inicial, profissionais de saúde irão orientar os pacientes sobre o procedimento e realizar uma série de exames como HIV, sífilis, hepatite B e C, função renal e hepática. O documento explica ainda que a incorporação da PrEP não desestimula o uso do preservativo. Ou seja, a profilaxia não previne outras infecções sexualmente transmissíveis. 

O Brasil é o primeiro país da América Latina a oferecer a PrEP no sistema público de saúde. A implantação ocorrerá de forma gradual, a partir de dezembro deste ano, em 22 cidades de todo o país: Manaus (AM), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Juiz de Fora (MG), Uberaba (MG), Passos (MG), Recife (PE), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Duque de Caxias (RJ), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), São Paulo(SP), São Bernardo do Campo(SP), Ribeirão Preto (SP), São Jose Rio Preto (SP), Campinas (SP), Santos (SP), Piracicaba (SP). Segundo dados do Boletim Epidemiológico, as taxas de prevalência de HIV são mais elevadas nestes subgrupos populacionais, quando comparadas às taxas observadas na população geral (0,4%). Nas mulheres profissionais de sexo é de 4,9%. Entre gays e homens que fazem sexo com outros homens (HSH), a taxa de prevalência por HIV é de 10,5%. Entre pessoas trans a prevalência chega a 31,2%.

APLICATIVOS – No encerramento do Congresso também foram lançados aplicativos para ajudar profissionais de saúde e cidadãos na atenção à saúde das pessoas vivendo com HIV e aids. Os aplicativos estarão disponíveis a partir deste sábado (30). Para os cidadãos que vivem com HIV/aids, estará disponível o aplicativo Viva Bem funcionará como um diário para o cidadão que vive com HIV/aids. Nele, é possível inserir lembretes de medicamentos, acompanhar exames, tirar dúvidas sobre esquemas dos medicamentos e monitorar CD4 e carga viral.

Serão quatro aplicativos para profissionais de saúde, para consulta e atendimento em locais remotos – sem conexão com internet. Os aplicativos permitem o acesso simples e rápido aos documentos na forma de guia de bolso: Protocolo Clínicos e Diretrizes Terapêuticas de PrEP, Protocolo Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para HIV em Crianças e Adolescentes, Protocolo Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para prevenção da transmissão Vertical do HIV, sífilis e Hepatites Virais e Protocolo Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para HIV – Adultos.

Por Nivaldo Coelho, da Agência Saúde 
Atendimento à imprensa – Ascom/MS - (61) 3315-2005/2577/3435

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Teste mostra que vacina brasileira contra zika previne doença na gestação

Estudo desenvolvido pelo Instituto Evandro Chagas é um dos mais avançados para oferta de uma vacina contra a doença. Os testes feitos em camundongos, junto com institutos dos EUA, mostraram ainda que o vírus pode causar danos aos testículos e esterilidade

A vacina contra zika desenvolvida pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), vinculado ao Ministério da Saúde, apresentou resultado positivo nos testes em camundongos e macacos. A aplicação de uma única dose da vacina preveniu a transmissão da doença nos animais e, durante a gestação, o contágio de seus filhotes. É um dos mais avançados estudos para a oferta de uma futura vacina contra a doença para proteger mulheres e crianças da microcefalia e outras alterações neurológicas causadas pelo vírus. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (22) pela revista Nature Communications.

Os testes pré-clínicos foram realizados simultaneamente no Instituto Nacional de Saúde (NIH), Universidade do Texas e Universidade Washington, dos Estados Unidos, todos parceiros da pesquisa. Os testes obtiveram sucesso em seu objetivo, que é impedir que o vírus zika cause microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central tanto nos camundongos quanto nos macacos. Já os testes em humanos devem ser realizados, a partir de 2019, na Fiocruz/Biomanginhos, no Rio de Janeiro.

Do grupo controle que não tomou a vacina, as fêmeas de camundongos tiveram aborto por conta da transmissão do vírus zika ou seus filhotes nasceram com microcefalia e outras alterações neurológicas.

ESTERILIDADE EM MACHOS - Além dos testes em fêmeas, foram realizados testes em camundongos machos. Um dos achados científicos inéditos é que o vírus zika pode ser capaz de causar esterilidade. A infecção nos animais reduziu consideravelmente a quantidade de espermatozoides, a mobilidade deles (ficaram praticamente imóveis) e o tamanho dos testículos (atrofia). Esses testes não foram realizados nos macacos.

No entanto, não é possível afirmar que esse efeito também se aplique aos seres humanos. O diretor do Instituto Evandro Chagas (IEC), Pedro Vasconcelos, ressalta que é preciso mais estudos para entender a dimensão deste problema. “Há uma preocupação de que esse achado evidencie que possa ocorrer um impacto similar entre os seres humanos, contudo ainda não há nenhum estudo que demonstre isso”, pontuou o diretor Pedro Vasconcelos.

A pesquisa não chegou a testar a capacidade dos animais de engravidarem fêmeas após os danos constatados nos testículos. Por isso, de acordo com o diretor do IEC, Pedro Vasconcelos, ainda não é possível apontar o impacto de esterilização nesses animais. “Estamos iniciando um novo experimento nesse sentido para verificar o impacto desta esterilidade na copulação dos animais. O que se sabe é que há uma grande quantidade de vírus na excreção do esperma, que significa que o vírus tem bastante capacidade de se replicar, causando a destruição das células que resulta em diminuição (atrofia) dos testículos e, consequentemente, a esterilidade”, concluiu o diretor do IEC.

Os testes da vacina que está sendo desenvolvida pelo IEC em parceria com os institutos norte-americanos também tiveram sucesso na proteção de animais machos. Além de demonstrar efetividade entre as fêmeas de camundongos e macacos, prevenindo a transmissão do vírus zika aos seus bebês, a vacina foi capaz de impedir danos aos testículos dos camundongos machos vacinados.

A parceria para essa pesquisa foi firmada em fevereiro de 2016 a partir de acordo internacional visando o desenvolvimento de vacina contra o vírus zika.  O Ministério da Saúde vai destinar um total de R$ 7 milhões nos próximos cinco anos (até 2021) para o desenvolvimento e produção da vacina. O imunobiológico em desenvolvimento utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado de apenas uma dose, já que vacina com vírus vivo são altamente capazes de estimular o sistema imunológico e proteger o organismo da infecção.

Por Amanda Mendes, da Agência Saúde
Atendimento à imprensa
(61) 3315-3580/2351/2745