O primeiro encontro do Centro de Estudos da ENSP em 2013, realizado
ontem, 27/2, reuniu pesquisadores que atuam no campo da tuberculose
(TB). O tema foi uma nova tecnologia de detecção mais rápida da doença,
que será implantada no Sistema Único de Saúde. Com o nome de GeneXpert, a
tecnologia é capaz de diagnosticar a TB em duas horas e com risco
mínimo de contaminação, uma vez que a análise é totalmente automatizada.
Além disso, o teste identifica, de forma mais rápida e precisa,
resistência ou não à rifampicina, antibiótico usado no tratamento da
tuberculose, o que facilita a prescrição mais ágil e correta do
tratamento da doença.
Para debater o tema estiveram presentes Fernanda Dockhorn Costa, médica
infectologista do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do
Ministério da Saúde (PNCT/MS); Maria Claudia da Silva Vater, professora
adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Betina
Durovni, superintendente da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de
Janeiro (SMS-RJ); e Fátima Cristina Fandinho Montes, chefe do
Laboratório de Referência Nacional em Tuberculose e Outras
Micobactérias, do Centro de Referência Professor Hélio Fraga
(CRPHF/ENSP). A atividade foi coordenada por Gisele O’Dwyer e Jesus Pais
Ramos, coordenadores de Ensino e Pesquisa do Centro de Saúde Escola
Germano Sinval Faria/ENSP e do CRPHF, respectivamente. O mediador da
sessão foi o chefe do CRPHF, Miguel Aiub Hijjar.

Na
abertura da atividade, Fátima Cristina Fandinho Montes apresentou a
abordagem do método da tecnologia GeneXpert. Segundo ela, há muito
tempo, procuram-se métodos mais rápidos de diagnóstico da doença, em
confronto com o método comumente utilizado, chamado diagnóstico
laboratorial. “Neste, o diagnóstico da tuberculose ativa é feito por
exame de escarro, ou seja, a baciloscopia do escarro, que não é capaz de
identificar a resistência à rifampicina, utilizada para o tratamento da
tuberculose. O GeneXpert, por sua vez, é capaz de identificar a
resistência a esse fármaco. A perspectiva é que também identifique
outros, pois foi desenvolvido para outros agravos, não somente a TB,
como marcadores oncológicos, por exemplo”, explicou.

Em
seguida, Betina Durovni, da SMS-RJ, apresentou o Estudo-piloto de
implementação do GeneXpert para o diagnóstico da tuberculose pulmonar em
dois municípios no Brasil, realizado no Rio de Janeiro e em Manaus.
Segundo Betina, a inovação no tratamento da TB é fundamental para
diminuir o número de casos. O objetivo do estudo foi estimar, em
condições de rotina de unidades públicas de saúde de dois municípios do
Brasil, o impacto da implementação do teste Xpert na detecção de casos
de TB pulmonar e na detecção de tuberculose multirresistente.
Os resultados preliminares – as análises foram realizadas no período de
fevereiro a outubro de 2012 – apontaram que o uso da tecnologia aumentou
em 34% a detecção de casos de TB nas condições de rotina, em comparação
com a baciloscopia de escarro. Em seguida, a professora da UFRJ Maria
Claudia da Silva Vater falou sobre a pesquisa O problema da mediação dos
custos de tecnologias de diagnóstico de tuberculose pulmonar. De acordo
com ela, “a principal premissa é o que deve ser considerado como custo
para a realização de um diagnóstico de TB. O objetivo da pesquisa foi
avaliar o processo inteiro, não apenas tecnologia em si”.

Ela
destacou três fatores que podem influenciar o valor total dos
componentes de custo: os métodos de custeios; a estrutura de aprovação e
direcionadores de custo; e a origem dos preços dos recursos empregados
na composição dos custos. Por fim, Fernanda Dockhorn Costa, médica
infectologista do PNCT/MS, apresentou a proposta de avaliação para
implementação da tecnologia GeneXpert no Sistema Único de Saúde. A
médica alertou para o grave problema de saúde pública que a tuberculose
hoje representa no Brasil.

Segundo
dados do PNCT, em 2011, foram notificados 74 mil novos casos de
tuberculose no país. Em 2010, o número de mortes chegou a 4.600, e foram
diagnosticados 642 novos casos de tuberculose multirresistente. Para
Fernanda, o uso da tecnologia no SUS será capaz de diminuir
significativamente o número de casos da doença, visto que, quanto mais
rápido é o diagnóstico da tuberculose, mais rápida também é a cura e
menor é o risco de sequela no paciente e de disseminação da doença.
“Atualmente, o Brasil é o quarto país no mundo que mais utiliza essa
tecnologia”, afirmou.
*Crédito foto capa: Agência Fiocruz de Notícias - Fonte; Blog CAP 1.0.
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